O pré-candidato do Partido Novo à Prefeitura do Natal, Fernando Pinto, disse nesta segunda-feira (9) que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema – maior experiência do Novo no Poder Executivo até agora –, foi vítima de uma “cilada” na polêmica sobre o reajuste para servidores do estado.
Em fevereiro, mesmo com o estado sob forte crise fiscal, Zema encaminhou para a Assembleia Legislativa um projeto que aumentava os salários de servidores da segurança pública em 42%. O impacto financeiro, segundo o governo mineiro, seria de R$ 9 bilhões em três anos.
Os deputados estaduais aprovaram a proposta, mas, para causar desgaste ao governador, estenderam o aumento para todas as categorias do funcionalismo, o que elevou significativamente o impacto financeiro. Atualmente, Minas tem mais de 346 mil servidores, dos quais apenas 12% são policiais militares.
O governador de Minas tem até 17 de março para decidir se sanciona ou veta o projeto aprovado na Assembleia. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou no mês passado que o aumento inviabiliza a adesão de Minas Gerais ao regime de recuperação fiscal, acordo que é defendido por Romeu Zema como saída para a crise do estado.
Na avaliação de Fernando Pinto, que é advogado e empresário, “Zema sofreu uma cilada no Governo de Minas”. Ele conta que o reajuste para os agentes de segurança – criticado pela seletividade – era necessário para evitar “motins e greves”.
“As forças de segurança do estado vinham há cerca de cinco anos sem recomposição salarial. Zema não deu reajuste. Ele concedeu essa recomposição, não reajuste, (para corrigir) uma defasagem (nos salários) das forças militares”, argumentou Fernando, em entrevista ao “Jornal Agora”, da Rádio Agora FM (97,9).
Para o pré-candidato do Novo em Natal, a proposta foi desfigurada na assembleia mineira. “A proposta foi para a Assembleia, e os abutres dela estenderam para todas as categorias. A partir daí, este reajuste coloca em risco todo o princípio de responsabilidade de Zema com Governo”, contou.
Segundo Fernando Pinto, a ação da Assembleia – de estender o reajuste para todo o funcionalismo estadual – foi uma manobra para desgastar politicamente Zema. Caso o governador vete a proposta, segundo Fernando Pinto, haverá manifestações e conflitos em Minas Gerais. “O que desejam os deputados? Que Minas Gerais esteja um caos”, apontou.
Os motins de policiais são temidos por conta das manifestações que ocorreram no início do ano no Ceará. No estado, os agentes fizeram uma paralisação de 13 dias que provocaram conflitos nas ruas da capital e do interior. Dados divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Ceará apontam que o mês de fevereiro deste ano foi o mais violento desde 2013. Foram 456 homicídios nos 29 dias, sendo que deste total 312 assassinatos ocorreram durante a greve dos policiais militares.
Fernando Pinto avalia que Novo foi maior apoiador de Bolsonaro em 2019
O pré-candidato do Partido Novo em Natal avalia que a legenda foi a que mais apoiou o governo Jair Bolsonaro em 2019 no Congresso.
“O Novo aprovou 98% da pauta do governo Bolsonaro. É um número muito maior do que o da aliança do governo”, disse Fernando, que afirmou que o seu partido apoiou o presidente porque viu projetos para melhorar a segurança pública e a economia.
O advogado disse que, por causa disso, espera receber o apoio em Natal dos apoiadores do presidente. Ele afirmou que duvida que os “bolsonaristas” da capital que ainda estão filiados ao PSL (ex-partido de Bolsonaro) apoiem a candidatura a prefeito do deputado estadual Kelps Lima (Solidariedade). A aliança entre as duas legendas é ventilada.
“Os bolsonaristas estão rompidos e fragmentados aqui. A velha política do RN conseguiu dissipar um movimento liberal que estava sendo concentrado no PSL. Mas o bolsonarista não vai para o partido Solidariedade, que foi financiado por empresas envolvidas na Lava Jato. Minhas críticas são à incoerência que existe. Como o PSL, que é liberal, se une com Bolsonaro e depois vão para forças que não construíam nada?”, colocou.
Advogado e empresário diz que conhece Natal e que violência e miséria motivaram candidatura
Natural de Pernambuco, mas que mora e tem negócios em Natal há mais de uma década, Fernando Pinto afirmou que, apesar de não ser oriundo da capital potiguar, conhece bem a cidade e sabe as necessidades dela.
Segundo ele, é preciso destinar atenção do poder público para todos os bairros de Natal. Ele, contudo, errou o númeor de bairros que a cidade tem. São 36.
“Natal tem 34 bairros que são importantes que sejam trabalhados. Quando estive em Natal pela primeira vez, tinha 17 anos. Estou há 11 anos e meio aqui”, disse.
Fernando afirma que foi através do esporte praticado por ele, o remo, que começou a perceber as principais fragilidades da cidade. Ele afirma que o alto índice de violência também implicou na sua decisão de concorrer a prefeito.
“Rodei o RN inteiro, mas não foi de Tirol para Ponta Negra, nem tomando cerveja no Alecrim. Me assustei com Natal. Eu vou bem longe pelo Rio Potengi. 10% das pessoas por ali não votam. Essa miséria de Natal me incomodou muito. A violência também. Isso começou a me preocupar”, resumiu.

